Para CFO, CEO, empresário, contador e jurídico, depósito judicial não é “detalhe processual”: é custo, provisão, caixa e risco. Em 2026, o STJ esclareceu um ponto que muda a conta da execução fiscal: o depósito judicial integral faz cessar a mora e afasta juros e correção monetária a partir da data do depósito, alterando diretamente a estratégia de defesa, a leitura do passivo e a governança de contingências.
Nos últimos anos, a discussão ficou confusa porque o Tema 677 foi usado como “régua” para situações diferentes. O que o STJ fez agora foi recolocar a análise no lugar certo: execução fiscal tem regra própria na Lei de Execuções Fiscais. Isso não é tecnicismo: é a diferença entre aceitar um passivo que continua crescendo “no papel” e organizar um plano com previsibilidade e trilha probatória de decisão.
Por Thiago Leite — Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.
O que o STJ esclareceu e por que isso importa no caixa
No REsp 2.213.669/PR, o STJ indicou que, em execução fiscal, o depósito judicial do valor integral do débito faz cessar a mora do executado, afastando a responsabilidade por juros de mora e correção monetária a partir da data em que o depósito é efetivado.
A base normativa central é objetiva: a própria Lei de Execuções Fiscais prevê que somente o depósito em dinheiro é capaz de fazer cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora (art. 9º, § 4º).
O ponto-chave: por que não é “Tema 677” e sim “regra da execução fiscal”
O Tema 677 tratou, historicamente, de depósitos na fase executiva em outra moldura (execuções em geral), e a tese de 2022 gerou leitura ampliada de que depósito/garantia não afastaria encargos até a efetiva liberação ao credor.
O esclarecimento recente reforça que a execução fiscal tem disciplina própria: a LEF cria um efeito específico para o depósito em dinheiro. Resultado prático: aplicar automaticamente o Tema 677 para execução fiscal pode distorcer provisão, “inflação” de passivo e tomada de decisão.
Comparativo: depósito integral em execução fiscal x outras garantias
| Ponto de comparação | Depósito integral em dinheiro (LEF) | Garantias/depósitos em outras execuções (referência Tema 677) | Impacto executivo |
|---|---|---|---|
| Encargos após a garantia | Cessam a partir do depósito (juros/correção do executado). | Pode haver discussão sobre continuidade de encargos até liberação. | Muda provisão, estratégia e narrativa de risco. |
| Base normativa | LEF, art. 9º, § 4º (regra expressa). | Tese repetitiva (Tema 677) em contexto diverso. | Evita aplicar “régua errada” ao caso. |
| Leitura de caixa | Após o depósito, o passivo não “corre” como antes. | Pode persistir custo de carregamento conforme tese aplicada. | Decisão de depósito vira decisão de custo. |
Análise técnica — Thiago Leite
“Depósito judicial integral em execução fiscal não é ‘só garantia’. É um marco financeiro.
Se a empresa deposita integralmente, ela não está apenas ‘ganhando tempo’: ela está interrompendo o custo de carregamento do passivo sob a lógica da LEF. Em 2026, a diferença entre discutir sem método e discutir com governança é medir corretamente: data do depósito, valor integral, natureza do processo e como isso impacta provisão, caixa e estratégia.”
— Thiago Leite, L4 Taxx
Alerta L4 Taxx – o erro mais caro é tratar depósito como “assunto do jurídico”
- Provisão inflada: aplicar tese errada pode manter juros/correção “rodando” no modelo financeiro;
- Decisão sem trilha: depositar ou não depositar sem critério vira risco de governança;
- Valor não integral: depósito parcial não entrega o mesmo efeito esperado;
- Falta de evidência: sem documentação clara (data/valor/natureza), auditoria interna e externa questiona a conta.
Checklist executivo: como usar essa decisão com segurança em 2026
- Classificar o caso corretamente: é execução fiscal? qual ente? qual natureza do crédito?
- Validar se o depósito é integral: valor do débito atualizado na data do depósito e prova nos autos;
- Registrar a “data marco”: alinhar jurídico + financeiro sobre quando cessam juros/correção do executado;
- Revisar provisões e notas explicativas: ajustar modelo de cálculo e premissas com trilha probatória;
- Definir política de decisão: critérios para depositar vs transacionar vs discutir (custo de oportunidade);
- Governança de evidências: anexar prova do depósito, extratos, decisões, despachos e memória de cálculo.
Scoring de governança de depósitos judiciais (0–100) para CFO e jurídico
| Critérios (20 pontos cada) | O que avaliar |
|---|---|
| Classificação jurídica do caso | Execução fiscal x outras execuções; tese aplicável; risco de interpretação incorreta. |
| Integridade do depósito | Valor integral, prova documental, data marco e conciliação contábil. |
| Modelo financeiro de provisão | Premissas de juros/correção alinhadas ao caso e rastreáveis em auditoria. |
| Governança decisória | Critérios formais para depositar/transacionar/discutir; ata, responsáveis e ritos. |
| Trilha probatória | Memória de cálculo, documentos, extratos, peças processuais e evidências de conciliação. |
Como interpretar o resultado
- 0–39: exposição alta; risco de provisão errada, custo invisível e decisões sem lastro;
- 40–69: estrutura parcial; há controle, mas faltam critérios, evidências e alinhamento jurídico-financeiro;
- 70–89: boa prontidão; foco em padronização de trilha e revisão periódica de premissas;
- 90–100: nível executivo; decisões rastreáveis, provisões consistentes e previsibilidade de risco.
Estudos de Caso L4 Taxx
Os estudos de caso abaixo mostram como inteligência tributária se traduz em aplicação prática, governança, documentação, integração sistêmica, trilha probatória e redução de risco de glosa, autuação, perda de margem e caixa no contexto IBS/CBS.
Estudo de Caso 1 – Execução fiscal com depósito integral e provisão “rodando” indevidamente
- Contexto: empresa depositou integralmente em dinheiro para garantir a execução, mas a área financeira seguiu atualizando juros/correção como se não houvesse marco.
- Desafio: ajustar provisão e narrativa de risco para auditoria, com base em evidência e regra aplicável.
- Diagnóstico L4 Taxx: premissa incorreta no modelo; ausência de trilha probatória (data/valor/peças) conectando jurídico e controladoria.
- Plano de ação: padronização do dossiê do depósito, revisão do modelo de provisões e rito mensal jurídico-financeiro.
- Resultado: provisão mais precisa, redução de ruído com auditoria e previsibilidade no reporte executivo.
Estudo de Caso 2 – Depósito parcial tratado como “integral” e surpresa na conta final
- Contexto: depósito feito com base em estimativa; diferença de atualização e encargos gerou divergência no encerramento.
- Desafio: impedir decisão por “aproximação” e criar critério objetivo para depósitos e garantias.
- Diagnóstico L4 Taxx: falta de memória de cálculo padronizada e ausência de validação do valor integral na data do depósito.
- Plano de ação: protocolo de cálculo, validação cruzada e governança de aprovação (jurídico + fiscal + CFO).
- Resultado: redução de risco de diferença, consistência de evidências e melhora de previsibilidade.
Estudo de Caso 3 – Portfólio de contingências sem política de decisão (depositar vs transacionar)
- Contexto: empresa com múltiplas execuções e decisões casuísticas, sem comparar custo de oportunidade entre depósito e alternativas.
- Desafio: transformar passivo em plano, com governança e critérios de priorização.
- Diagnóstico L4 Taxx: ausência de matriz de decisão; falta de indicadores (custo de carregamento, risco, impacto de caixa).
- Plano de ação: scoring de governança, comitê mensal, trilha probatória e política de decisão por faixas.
- Resultado: decisões previsíveis, comunicação executiva clara e redução de risco de improviso.
FAQ – principais dúvidas sobre depósito judicial em execução fiscal
Este FAQ cobre as dúvidas mais comuns sobre efeitos do depósito judicial integral, encargos de mora e impactos práticos em provisões, caixa e governança.
O que muda, na prática, com esse esclarecimento do STJ?
Em execução fiscal, o depósito integral em dinheiro passa a ser tratado como marco para cessação da mora do executado, afastando juros e correção monetária a partir da data do depósito, conforme a regra específica da LEF.
Isso vale para qualquer depósito judicial tributário?
O ponto central é a natureza do processo (execução fiscal) e a incidência da regra da LEF. Por isso, a classificação correta do caso é essencial antes de aplicar a premissa em provisões e estratégia.
O Tema 677 ficou “errado” então?
Não é isso. O Tema 677 foi fixado em contexto diverso e, em 2022, a Corte Especial consolidou tese sobre encargos em depósitos/penhoras na execução em geral. O debate é aplicar a tese certa ao caso certo.
Depósito parcial também cessa juros e correção?
A lógica debatida está associada ao depósito do valor integral. Depósitos parciais tendem a exigir análise específica do saldo, do título e do que efetivamente foi garantido.
O que isso muda para o CFO na gestão de contingências?
Muda premissas de provisão, comunicação de risco e estratégia de decisão. O depósito pode interromper o “carregamento” do passivo sob a lógica aplicável, alterando custo de oportunidade e previsibilidade.
Qual é o maior risco operacional ao aplicar isso?
Usar o entendimento sem trilha probatória: não comprovar valor integral, não registrar a data marco e não alinhar jurídico-financeiro. A conta fica vulnerável em auditoria e governança.
Qual o primeiro passo prático para usar isso com segurança?
Montar um dossiê padrão por processo: natureza (execução fiscal), prova do depósito, memória de cálculo, data marco, conciliação contábil e revisão do modelo de provisão.
Conclusão – depósito judicial em 2026: quando a decisão jurídica vira decisão de caixa
O esclarecimento do STJ recoloca a execução fiscal no trilho correto: existe regra própria na LEF para depósito em dinheiro, e isso muda a conta. Para empresas maduras, a oportunidade é transformar um tema “jurídico” em disciplina executiva: governança de contingências, trilha probatória e premissas financeiras consistentes. O próximo passo é simples e difícil: classificar corretamente cada caso, documentar o marco e decidir com método.
Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa
A gestão de passivo e contingências em 2026 exige integração real entre fiscal, finanças, jurídico e governança, com foco em previsibilidade, redução de risco e consistência de evidências. A L4 Taxx atua para transformar disputas em plano, com critérios, documentação e disciplina de execução.
Diagnóstico
- Mapeamento de processos, natureza (execução fiscal x outras), status e impactos em provisão e caixa;
- Revisão de premissas de encargos, datas marco e consistência documental por caso;
- Plano de ação com priorização, ritos e indicadores para o comitê executivo.
Compliance tributário
- Padronização de dossiês, trilha probatória e rotinas de conciliação jurídico-financeira;
- Controles e evidências para reporte, auditoria e redução de ruído de governança;
- Ritos de decisão e registros formais para evitar casuísmo.
Compensação de créditos
- Mapeamento de oportunidades e riscos de crédito com lastro e evidência auditável;
- Conciliações e critérios para sustentar decisões com previsibilidade;
- Integração entre fiscal, contábil e financeiro para reduzir divergências.
Planejamento fiscal estratégico
- Modelagem de custo de oportunidade: depositar vs transacionar vs discutir, por cenário e impacto de caixa;
- Governança decisória com scoring, critérios e responsabilidades claras;
- Estruturação de agenda executiva para decisões previsíveis.
Revisão e recuperação de tributos pagos indevidamente
- Revisões técnicas com documentação robusta e metodologia de sustentação;
- Correção de distorções e melhoria contínua de controles;
- Redução de recorrência do erro por governança e rito.
Transação tributária e regularização de passivos
- Estratégia de regularização com foco em previsibilidade de caixa e redução de litígio;
- Organização documental e narrativa técnica para negociação;
- Governança do passivo para preservar capacidade de investimento e reduzir risco reputacional.
Quer transformar execução fiscal em decisão controlada — e não em susto?
A L4 Taxx estrutura governança, trilha probatória e método de decisão para ajustar provisões, reduzir custo invisível e dar previsibilidade ao seu passivo tributário em 2026.
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