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Depósito judicial: o ponto que MUDA a conta da execução fiscal (e quase ninguém mede certo)

06/02/2026


Para CFO, CEO, empresário, contador e jurídico, depósito judicial não é “detalhe processual”: é custo, provisão, caixa e risco. Em 2026, o STJ esclareceu um ponto que muda a conta da execução fiscal: o depósito judicial integral faz cessar a mora e afasta juros e correção monetária a partir da data do depósito, alterando diretamente a estratégia de defesa, a leitura do passivo e a governança de contingências.

Nos últimos anos, a discussão ficou confusa porque o Tema 677 foi usado como “régua” para situações diferentes. O que o STJ fez agora foi recolocar a análise no lugar certo: execução fiscal tem regra própria na Lei de Execuções Fiscais. Isso não é tecnicismo: é a diferença entre aceitar um passivo que continua crescendo “no papel” e organizar um plano com previsibilidade e trilha probatória de decisão.

Por Thiago Leite — Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.

Conteúdo da Postagem:

O que o STJ esclareceu e por que isso importa no caixa

No REsp 2.213.669/PR, o STJ indicou que, em execução fiscal, o depósito judicial do valor integral do débito faz cessar a mora do executado, afastando a responsabilidade por juros de mora e correção monetária a partir da data em que o depósito é efetivado.

A base normativa central é objetiva: a própria Lei de Execuções Fiscais prevê que somente o depósito em dinheiro é capaz de fazer cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora (art. 9º, § 4º).

O ponto-chave: por que não é “Tema 677” e sim “regra da execução fiscal”

O Tema 677 tratou, historicamente, de depósitos na fase executiva em outra moldura (execuções em geral), e a tese de 2022 gerou leitura ampliada de que depósito/garantia não afastaria encargos até a efetiva liberação ao credor.

O esclarecimento recente reforça que a execução fiscal tem disciplina própria: a LEF cria um efeito específico para o depósito em dinheiro. Resultado prático: aplicar automaticamente o Tema 677 para execução fiscal pode distorcer provisão, “inflação” de passivo e tomada de decisão.

Comparativo: depósito integral em execução fiscal x outras garantias

Ponto de comparação Depósito integral em dinheiro (LEF) Garantias/depósitos em outras execuções (referência Tema 677) Impacto executivo
Encargos após a garantia Cessam a partir do depósito (juros/correção do executado). Pode haver discussão sobre continuidade de encargos até liberação. Muda provisão, estratégia e narrativa de risco.
Base normativa LEF, art. 9º, § 4º (regra expressa). Tese repetitiva (Tema 677) em contexto diverso. Evita aplicar “régua errada” ao caso.
Leitura de caixa Após o depósito, o passivo não “corre” como antes. Pode persistir custo de carregamento conforme tese aplicada. Decisão de depósito vira decisão de custo.

Análise técnica — Thiago Leite

“Depósito judicial integral em execução fiscal não é ‘só garantia’. É um marco financeiro.

Se a empresa deposita integralmente, ela não está apenas ‘ganhando tempo’: ela está interrompendo o custo de carregamento do passivo sob a lógica da LEF. Em 2026, a diferença entre discutir sem método e discutir com governança é medir corretamente: data do depósito, valor integral, natureza do processo e como isso impacta provisão, caixa e estratégia.”

— Thiago Leite, L4 Taxx

Alerta L4 Taxx – o erro mais caro é tratar depósito como “assunto do jurídico”
  • Provisão inflada: aplicar tese errada pode manter juros/correção “rodando” no modelo financeiro;
  • Decisão sem trilha: depositar ou não depositar sem critério vira risco de governança;
  • Valor não integral: depósito parcial não entrega o mesmo efeito esperado;
  • Falta de evidência: sem documentação clara (data/valor/natureza), auditoria interna e externa questiona a conta.

Checklist executivo: como usar essa decisão com segurança em 2026

  • Classificar o caso corretamente: é execução fiscal? qual ente? qual natureza do crédito?
  • Validar se o depósito é integral: valor do débito atualizado na data do depósito e prova nos autos;
  • Registrar a “data marco”: alinhar jurídico + financeiro sobre quando cessam juros/correção do executado;
  • Revisar provisões e notas explicativas: ajustar modelo de cálculo e premissas com trilha probatória;
  • Definir política de decisão: critérios para depositar vs transacionar vs discutir (custo de oportunidade);
  • Governança de evidências: anexar prova do depósito, extratos, decisões, despachos e memória de cálculo.

Scoring de governança de depósitos judiciais (0–100) para CFO e jurídico

Critérios (20 pontos cada) O que avaliar
Classificação jurídica do caso Execução fiscal x outras execuções; tese aplicável; risco de interpretação incorreta.
Integridade do depósito Valor integral, prova documental, data marco e conciliação contábil.
Modelo financeiro de provisão Premissas de juros/correção alinhadas ao caso e rastreáveis em auditoria.
Governança decisória Critérios formais para depositar/transacionar/discutir; ata, responsáveis e ritos.
Trilha probatória Memória de cálculo, documentos, extratos, peças processuais e evidências de conciliação.
Como interpretar o resultado
  • 0–39: exposição alta; risco de provisão errada, custo invisível e decisões sem lastro;
  • 40–69: estrutura parcial; há controle, mas faltam critérios, evidências e alinhamento jurídico-financeiro;
  • 70–89: boa prontidão; foco em padronização de trilha e revisão periódica de premissas;
  • 90–100: nível executivo; decisões rastreáveis, provisões consistentes e previsibilidade de risco.

Estudos de Caso L4 Taxx

Os estudos de caso abaixo mostram como inteligência tributária se traduz em aplicação prática, governança, documentação, integração sistêmica, trilha probatória e redução de risco de glosa, autuação, perda de margem e caixa no contexto IBS/CBS.

Estudo de Caso 1 – Execução fiscal com depósito integral e provisão “rodando” indevidamente
  • Contexto: empresa depositou integralmente em dinheiro para garantir a execução, mas a área financeira seguiu atualizando juros/correção como se não houvesse marco.
  • Desafio: ajustar provisão e narrativa de risco para auditoria, com base em evidência e regra aplicável.
  • Diagnóstico L4 Taxx: premissa incorreta no modelo; ausência de trilha probatória (data/valor/peças) conectando jurídico e controladoria.
  • Plano de ação: padronização do dossiê do depósito, revisão do modelo de provisões e rito mensal jurídico-financeiro.
  • Resultado: provisão mais precisa, redução de ruído com auditoria e previsibilidade no reporte executivo.
Estudo de Caso 2 – Depósito parcial tratado como “integral” e surpresa na conta final
  • Contexto: depósito feito com base em estimativa; diferença de atualização e encargos gerou divergência no encerramento.
  • Desafio: impedir decisão por “aproximação” e criar critério objetivo para depósitos e garantias.
  • Diagnóstico L4 Taxx: falta de memória de cálculo padronizada e ausência de validação do valor integral na data do depósito.
  • Plano de ação: protocolo de cálculo, validação cruzada e governança de aprovação (jurídico + fiscal + CFO).
  • Resultado: redução de risco de diferença, consistência de evidências e melhora de previsibilidade.
Estudo de Caso 3 – Portfólio de contingências sem política de decisão (depositar vs transacionar)
  • Contexto: empresa com múltiplas execuções e decisões casuísticas, sem comparar custo de oportunidade entre depósito e alternativas.
  • Desafio: transformar passivo em plano, com governança e critérios de priorização.
  • Diagnóstico L4 Taxx: ausência de matriz de decisão; falta de indicadores (custo de carregamento, risco, impacto de caixa).
  • Plano de ação: scoring de governança, comitê mensal, trilha probatória e política de decisão por faixas.
  • Resultado: decisões previsíveis, comunicação executiva clara e redução de risco de improviso.

FAQ – principais dúvidas sobre depósito judicial em execução fiscal

Este FAQ cobre as dúvidas mais comuns sobre efeitos do depósito judicial integral, encargos de mora e impactos práticos em provisões, caixa e governança.

O que muda, na prática, com esse esclarecimento do STJ?

Em execução fiscal, o depósito integral em dinheiro passa a ser tratado como marco para cessação da mora do executado, afastando juros e correção monetária a partir da data do depósito, conforme a regra específica da LEF.

Isso vale para qualquer depósito judicial tributário?

O ponto central é a natureza do processo (execução fiscal) e a incidência da regra da LEF. Por isso, a classificação correta do caso é essencial antes de aplicar a premissa em provisões e estratégia.

O Tema 677 ficou “errado” então?

Não é isso. O Tema 677 foi fixado em contexto diverso e, em 2022, a Corte Especial consolidou tese sobre encargos em depósitos/penhoras na execução em geral. O debate é aplicar a tese certa ao caso certo.

Depósito parcial também cessa juros e correção?

A lógica debatida está associada ao depósito do valor integral. Depósitos parciais tendem a exigir análise específica do saldo, do título e do que efetivamente foi garantido.

O que isso muda para o CFO na gestão de contingências?

Muda premissas de provisão, comunicação de risco e estratégia de decisão. O depósito pode interromper o “carregamento” do passivo sob a lógica aplicável, alterando custo de oportunidade e previsibilidade.

Qual é o maior risco operacional ao aplicar isso?

Usar o entendimento sem trilha probatória: não comprovar valor integral, não registrar a data marco e não alinhar jurídico-financeiro. A conta fica vulnerável em auditoria e governança.

Qual o primeiro passo prático para usar isso com segurança?

Montar um dossiê padrão por processo: natureza (execução fiscal), prova do depósito, memória de cálculo, data marco, conciliação contábil e revisão do modelo de provisão.

Conclusão – depósito judicial em 2026: quando a decisão jurídica vira decisão de caixa

O esclarecimento do STJ recoloca a execução fiscal no trilho correto: existe regra própria na LEF para depósito em dinheiro, e isso muda a conta. Para empresas maduras, a oportunidade é transformar um tema “jurídico” em disciplina executiva: governança de contingências, trilha probatória e premissas financeiras consistentes. O próximo passo é simples e difícil: classificar corretamente cada caso, documentar o marco e decidir com método.

Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa

A gestão de passivo e contingências em 2026 exige integração real entre fiscal, finanças, jurídico e governança, com foco em previsibilidade, redução de risco e consistência de evidências. A L4 Taxx atua para transformar disputas em plano, com critérios, documentação e disciplina de execução.

Diagnóstico
  • Mapeamento de processos, natureza (execução fiscal x outras), status e impactos em provisão e caixa;
  • Revisão de premissas de encargos, datas marco e consistência documental por caso;
  • Plano de ação com priorização, ritos e indicadores para o comitê executivo.
Compliance tributário
  • Padronização de dossiês, trilha probatória e rotinas de conciliação jurídico-financeira;
  • Controles e evidências para reporte, auditoria e redução de ruído de governança;
  • Ritos de decisão e registros formais para evitar casuísmo.
Compensação de créditos
  • Mapeamento de oportunidades e riscos de crédito com lastro e evidência auditável;
  • Conciliações e critérios para sustentar decisões com previsibilidade;
  • Integração entre fiscal, contábil e financeiro para reduzir divergências.
Planejamento fiscal estratégico
  • Modelagem de custo de oportunidade: depositar vs transacionar vs discutir, por cenário e impacto de caixa;
  • Governança decisória com scoring, critérios e responsabilidades claras;
  • Estruturação de agenda executiva para decisões previsíveis.
Revisão e recuperação de tributos pagos indevidamente
  • Revisões técnicas com documentação robusta e metodologia de sustentação;
  • Correção de distorções e melhoria contínua de controles;
  • Redução de recorrência do erro por governança e rito.
Transação tributária e regularização de passivos
  • Estratégia de regularização com foco em previsibilidade de caixa e redução de litígio;
  • Organização documental e narrativa técnica para negociação;
  • Governança do passivo para preservar capacidade de investimento e reduzir risco reputacional.

Quer transformar execução fiscal em decisão controlada — e não em susto?

A L4 Taxx estrutura governança, trilha probatória e método de decisão para ajustar provisões, reduzir custo invisível e dar previsibilidade ao seu passivo tributário em 2026.

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