Grandes empresas do agronegócio já avaliam, de forma pragmática, a adoção de tabelas de preços duplas a partir de 2027 como resposta direta aos efeitos operacionais da Reforma Tributária do Consumo. A estratégia nasce de um problema estrutural: a dificuldade de comprovar tributos pagos na origem quando o fornecedor é pessoa física, o que compromete o aproveitamento de créditos de IBS e CBS.
Na prática, não se trata de planejamento agressivo, mas de adaptação defensiva a um sistema não cumulativo que exige prova. Onde não há comprovação do imposto na etapa anterior, não há crédito — e o custo se desloca integralmente para quem vende na ponta.
Por Thiago Leite — Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.
Por que o agronegócio estuda tabelas de preços duplas
O ponto central está na estrutura da cadeia produtiva rural. Grande parte dos fornecedores de grãos, insumos e produtos primários opera como pessoa física, muitas vezes com faturamento anual inferior a R$ 3,6 milhões, fora do regime pleno do IVA.
Nessas operações:
- não há destaque formal de IBS e CBS;
- não há comprovação de imposto pago na origem;
- o adquirente perde o direito ao crédito;
- o custo do imposto incide integralmente na venda seguinte.
A tabela de preços dupla surge como tentativa de refletir essa diferença econômica: um preço para compras com crédito aproveitável e outro, mais oneroso, para operações sem lastro creditício.
O risco real: crédito inexistente vira custo definitivo
No modelo do IVA dual, o imposto não cumulativo depende de cadeia documental íntegra. Quando isso não ocorre, o comprador assume o impacto.
Exemplos recorrentes:
- sementes adquiridas de produtores pessoas físicas;
- grãos comprados de cooperados fora do regime pleno;
- operações em que o fornecedor não opta por aderir ao IVA;
- documentos que não permitem validação automática do crédito.
O resultado é simples: quem vende depois paga a alíquota cheia, sem compensação.
Análise técnica — Thiago Leite
“No IVA, crédito não é direito abstrato — é consequência de prova. O agronegócio sente isso antes porque sua cadeia mistura pessoas jurídicas sofisticadas com fornecedores pessoas físicas sem estrutura fiscal compatível com o novo sistema.
A tabela de preços dupla não é criatividade comercial; é tentativa de reequilibrar uma assimetria criada pela falta de lastro tributário. Quem não tratar esse tema agora vai descobrir em 2027 que margem virou imposto.”
— Thiago Leite, L4 Taxx
Consequências práticas para empresas do setor
A adoção (ou não) dessa estratégia gera efeitos relevantes:
- Preço final: tendência de repasse de custo ao consumidor;
- Margem: compressão em operações sem crédito;
- Relação com fornecedores: pressão para formalização;
- Estrutura societária: estímulo à pejotização de produtores;
- Risco fiscal: passivo oculto se o impacto não for tratado.
Especialistas já apontam que muitos produtores rurais tendem a migrar para pessoa jurídica nos próximos anos, não por benefício, mas por sobrevivência econômica no novo sistema.
Alerta L4 Taxx – O risco não está no preço, está no crédito
Criar duas tabelas sem revisar contratos, critérios de aceitação de fornecedores e governança de crédito pode gerar disputas comerciais e fiscais. A estratégia só funciona quando sustentada por política clara, documentação e simulação prévia de impacto.
Comparativo: Cadeia com crédito x Cadeia sem crédito
| Dimensão | Fornecedor com crédito | Fornecedor sem crédito | Leitura C-level |
|---|---|---|---|
| Documentação | IVA validado | Sem lastro fiscal | Risco embutido no preço |
| Crédito | Aproveitável | Inexistente | Impacto direto na margem |
| Estratégia | Preço único | Preço diferenciado | Gestão ativa da cadeia |
Estudos de Caso L4 Taxx – Agronegócio e crédito no IVA
Os casos abaixo ilustram como empresas do setor estão lidando com o risco de perda de crédito na reforma tributária.
Estudo de Caso 1 – Sementeira com fornecedores PF
- Contexto: compras majoritárias de produtores pessoas físicas.
- Desafio: perda integral de crédito de IBS/CBS.
- Plano L4 Taxx: simulação de preços e revisão contratual.
- Resultado: mitigação de passivo e ajuste de margem.
Estudo de Caso 2 – Agroindústria exportadora
- Contexto: cadeia híbrida PF/PJ.
- Desafio: crédito inconsistente.
- Plano L4 Taxx: segmentação de fornecedores e incentivos à formalização.
- Resultado: estabilidade no custo tributário.
Estudo de Caso 3 – Cooperativa em transição
- Contexto: cooperados abaixo do limite de faturamento.
- Desafio: viabilidade econômica no IVA.
- Plano L4 Taxx: reestruturação societária e fiscal.
- Resultado: preservação de competitividade.
Conclusão: o IVA força decisões que antes podiam ser adiadas
A discussão sobre tabelas de preços duplas evidencia um fato incontornável: no novo sistema, quem não controla a cadeia, controla menos o resultado. O agronegócio, por sua complexidade, será um dos primeiros setores a sentir os efeitos práticos da não cumulatividade plena. Antecipar decisões é menos custoso do que reagir quando o imposto já virou preço.
Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa
Diagnóstico de cadeia e crédito
- Mapeamento de fornecedores PF e PJ;
- Identificação de riscos de perda de crédito;
- Simulação de impacto em margem e preço.
Estruturação estratégica
- Política de preços e contratos;
- Incentivo à formalização;
- Governança tributária no IVA.
Execução segura da transição
- Preparação para 2026–2027;
- Integração fiscal e operacional;
- Redução de passivos ocultos.
No IVA, crédito é estratégia.
A L4 Taxx ajuda sua empresa a decidir antes que o imposto decida por você.
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- Base de Cálculo: R$ 0,00
- Base de Crédito: R$ 0,00
- Alíquota Anterior: 0%
- Método: Cumulativo

