Os últimos dias confirmaram uma mudança silenciosa, porém estrutural, no sistema tributário brasileiro: a Reforma Tributária deixa o campo conceitual e passa a produzir efeitos operacionais imediatos. Decisões recentes da Receita Federal e avanços institucionais na governança do IBS reforçam um modelo fiscal mais integrado, digital e orientado à conformidade estruturada.
Mais do que alterações pontuais, os movimentos observados sinalizam uma transformação no padrão de relacionamento entre Fisco e empresas. O foco deixa de ser apenas o recolhimento correto e passa a incluir previsibilidade, controle, rastreabilidade e capacidade demonstrável de governança.
Por Thiago Leite — Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.
IRPJ no lucro presumido: adicional passa a ser trimestral
A Receita Federal confirmou entendimento formal segundo o qual o adicional de 10% do IRPJ, no regime do lucro presumido, deve ser apurado trimestralmente, e não mais apenas com base no resultado anual.
Na prática, isso implica:
- O limite anual de R$ 5 milhões de receita passa a ser observado de forma proporcional;
- Ultrapassar R$ 1,25 milhão de receita bruta em um trimestre já gera incidência do adicional naquele período;
- Antecipação do ônus financeiro, com impacto direto em caixa, provisões e planejamento;
- Maior sensibilidade para empresas com sazonalidade de receitas.
Embora tecnicamente defensável sob a lógica da apuração trimestral do regime, a medida altera o perfil financeiro do tributo e exige revisão imediata de controles e projeções.
Alerta L4 Taxx – IRPJ agora é decisão de caixa
- Receita trimestral mal monitorada gera adicional inesperado;
- Sazonalidade amplia risco de antecipação de imposto;
- Planejamento anual isolado deixa de ser suficiente;
- Controle de receita passa a ser variável tributária crítica.
Reforma Tributária: Comitê Gestor do IBS sai do papel
Outro avanço relevante da semana foi a definição, pelos municípios — por meio da Confederação Nacional de Municípios (CNM) — dos representantes que irão compor o Comitê Gestor do IBS (CG-IBS).
O CG-IBS será responsável por:
- Administrar, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre Bens e Serviços;
- Editar normas operacionais nacionais;
- Coordenar a distribuição de arrecadação entre Estados e Municípios;
- Operar o tributo durante e após o período de transição.
Com a soma das indicações dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, o Comitê deixa de ser apenas uma previsão legal e passa a integrar a governança efetiva do novo sistema.
O que muda na prática com o CG-IBS
A instalação do Comitê Gestor altera a dinâmica do contencioso e da conformidade:
- Padronização nacional de procedimentos;
- Redução de margens interpretativas locais;
- Maior integração entre arrecadação, fiscalização e dados;
- Rlevação do nível técnico exigido das empresas.
O IBS nasce com uma governança centralizada, tecnológica e orientada à consistência operacional — o oposto do modelo fragmentado de ICMS e ISS.
Governança e compliance: não é tendência, é requisito
Os acontecimentos recentes reforçam uma diretriz clara do governo federal: conformidade estruturada.
Ganham protagonismo:
- O Programa Confia, baseado em relacionamento cooperativo;
- A governança institucional do IBS;
- O uso intensivo de dados, cruzamentos eletrônicos e controles preventivos.
O modelo repressivo ex post cede espaço a um sistema que exige qualidade da informação desde a origem. Erros deixam de ser exceção tolerável e passam a ser risco sistêmico.

Análise técnica — Thiago Leite
“O sistema tributário brasileiro está migrando de um modelo de arrecadação para um modelo de governança.
Quem não transformar dados, processos e decisões em método vai sentir o impacto no caixa, no risco e na previsibilidade.”
— Thiago Leite, L4 Taxx
Checklist estratégico para empresas
- O controle de receita está estruturado por trimestre?
- Há simulações de impacto do adicional do IRPJ no caixa?
- Os sistemas estão preparados para CBS e IBS?
- Existe governança clara sobre dados fiscais?
- A empresa está alinhada a modelos cooperativos de compliance?
Estudos de Caso L4 Taxx
Os estudos de caso abaixo mostram como decisões estratégicas, aliadas à governança, documentação, integração sistêmica e trilha probatória, reduzem risco de glosa, autuação, perda de margem e impacto negativo de caixa no novo ambiente institucional.
Estudo de Caso 1 – empresa no lucro presumido com forte sazonalidade
- Contexto: receitas concentradas em poucos trimestres.
- Desafio: antecipação inesperada do adicional do IRPJ.
- Diagnóstico L4 Taxx: ausência de controle trimestral e simulação.
- Plano de ação: reestruturação de projeções e governança de receita.
- Resultado: previsibilidade de caixa e redução de surpresas fiscais.
Estudo de Caso 2 – empresa de serviços em preparação para IBS
- Contexto: operações pulverizadas e dados descentralizados.
- Desafio: adequação ao modelo nacional do CG-IBS.
- Diagnóstico L4 Taxx: risco elevado de inconsistências.
- Plano de ação: padronização e integração sistêmica.
- Resultado: redução de risco e ganho de eficiência operacional.
Estudo de Caso 3 – grupo empresarial buscando modelo cooperativo
- Contexto: alto volume de operações e exposição fiscal.
- Desafio: aderência a programas de conformidade.
- Diagnóstico L4 Taxx: governança fragmentada.
- Plano de ação: estruturação de compliance e trilha probatória.
- Resultado: redução de contingências e melhoria do relacionamento fiscal.
Conclusão — o risco agora é institucional
Os movimentos recentes deixam claro: a Reforma Tributária já impacta decisões reais. O risco deixou de ser apenas interpretativo e passou a ser institucional, operacional e financeiro.
Empresas que avançarem em planejamento contínuo, governança de dados, adequação de sistemas e compliance estruturado estarão preparadas. As demais enfrentarão custos crescentes e perda de previsibilidade.
Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa
A L4 Taxx atua de forma técnica e estratégica na preparação das empresas para o novo ambiente fiscal.
Compliance tributário
- Governança, controles e evidências;
- Modelos cooperativos e gestão de riscos.
Planejamento fiscal estratégico
- Simulações de impacto e projeções de caixa;
- Decisões estruturadas para 2026–2033.
Revisão e recuperação tributária
- Identificação de créditos e eficiência fiscal;
- Segurança jurídica e previsibilidade financeira.
Transação e regularização de passivos
- Estratégias de redução de risco e custo;
- Estabilidade no relacionamento com o Fisco.
Sua empresa está preparada para o novo padrão fiscal?
A Reforma Tributária exige decisões estruturadas. Antecipe riscos, organize dados e ganhe previsibilidade antes que o custo se materialize.
Simulador: Reforma Tributária (IBS/CBS)
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Perfil da Empresa
Dados Financeiros
Preenchimento obrigatório.
Ex: Matéria-prima, Energia, Telecom, Aluguéis (PJ), Serviços tomados.
Limite de Regime Excedido
Simulação do Split Payment
- Regime: ...
- Setor: ...
- Débito (Venda): R$ 0,00
- Crédito (Compra): R$ 0,00

