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PIS/Cofins vão sair: entenda a CBS, o cálculo e o que muda na sua apuração

09/07/2024


A CBS deixou de ser “assunto de futuro”. Em 2026 começa o ciclo de transição do IVA Dual com cobrança-teste e, na prática, o risco relevante já nasce agora: cadastro, documento fiscal, parametrização de ERP, conciliação e trilha de crédito. Quem tratar 2026 como burocracia vai comprar passivo silencioso para 2027–2033.

A Reforma Tributária do consumo (EC 132/2023) redesenha a forma de tributar bens e serviços no Brasil e substitui um conjunto fragmentado de tributos por um sistema de IVA Dual, composto por CBS (federal) e IBS (estadual/municipal), além do Imposto Seletivo.

O ponto central é que a transição exige preparo “de chão de fábrica”: regras, layouts, cadastros, integrações e provas. A discussão teórica perde valor quando o Fisco passa a medir consistência e rastreabilidade em escala.

Por Thiago Leite — Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.

Conteúdo da Postagem:

O que é a CBS e o que ela substitui na Reforma Tributária

A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é o tributo federal do IVA Dual. Ela substituirá, de forma gradual, os tributos federais sobre consumo, principalmente PIS e Cofins, e reorganiza a tributação do consumo em uma lógica mais ampla e não cumulativa.

No desenho constitucional, o IVA Dual é formado por:

  • CBS (União) – componente federal do IVA;
  • IBS (Estados e Municípios) – substitui gradualmente ICMS e ISS;
  • Imposto Seletivo (IS) – incide sobre bens/serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente (conforme legislação).

Quando a CBS começa e qual é o cronograma oficial da transição

O cronograma constitucional e regulatório estabelece que:

  • 2026: inicia a cobrança-teste de CBS e IBS (fase de adaptação e validação operacional);
  • 2027: ocorre a entrada plena da CBS e a extinção de PIS/Cofins, dentro do desenho de transição previsto;
  • 2029–2032: transição gradual de ICMS/ISS para IBS;
  • 2033: consolidação do novo sistema (IVA Dual como regime predominante).

Leitura executiva: 2026 é o ano para “fazer a empresa funcionar” no novo modelo, porque a transição não depende só de lei — depende de dados, processo e prova.

Como funciona o cálculo da CBS na prática

A lógica do IVA (CBS/IBS) busca evitar a cumulatividade: o tributo incide sobre o valor adicionado em cada etapa, com direito a crédito conforme regras de incidência, documentação e validação.

Exemplo prático simplificado (lógica de valor agregado)

Imagine uma cadeia simples (valores ilustrativos) com alíquota hipotética de 10% apenas para demonstrar o mecanismo:

  • Etapa 1: fornecedor vende insumo por R$ 9,00. CBS (10%) = R$ 0,90.
  • Etapa 2: transformador vende produto por R$ 20,00. Valor agregado = R$ 11,00 (20 − 9). CBS (10%) sobre o valor agregado = R$ 1,10.
  • Etapa 3: varejo vende ao consumidor por R$ 40,00. Valor agregado = R$ 20,00 (40 − 20). CBS (10%) sobre o valor agregado = R$ 2,00.

O consumidor paga o tributo embutido no preço final, mas a cadeia evita a “tributação em cascata” ao permitir créditos e focar na agregação de valor — desde que a empresa tenha documento fiscal correto, cadastro consistente e conciliação entre o que compra, vende e declara.

O que muda no risco: de “tese” para “prova”

O IVA Dual desloca o centro do risco para:

  • cadastros (cliente/fornecedor, NCM, serviço, domicílio, regimes e validações);
  • documentos fiscais (layout, campos, regras de destaque e consistência);
  • créditos (lastro, vínculo operacional, elegibilidade, conciliação);
  • ERP e integrações (testes fim-a-fim e trilha auditável);
  • governança (RACI, KPIs, cadência e resposta rápida a divergências).

Análise técnica — Thiago Leite

“A CBS não vai ‘pegar’ sua empresa por falta de leitura da lei. Vai pegar por falta de execução: cadastro inconsistente, documento fiscal insuficiente, parametrização errada e ausência de prova do crédito. 2026 é o ano em que o passivo nasce silencioso — e quem não constrói prontidão paga depois em margem e caixa.”

— Thiago Leite, L4 Taxx

Alerta L4 Taxx – o risco de 2026 não é “alíquota”: é execução

  • Erro de layout/cadastro vira perda de crédito ou glosa futura;
  • Fornecedor inconsistente desloca custo para sua margem;
  • Documento fiscal “ok” no sistema antigo pode falhar no IVA (prova e validação);
  • Conciliação fraca eleva autuação, retrabalho e custo financeiro.

Comparativo: CBS (IVA Dual) x sistema atual de PIS/Cofins

Dimensão Modelo atual (PIS/Cofins e múltiplas regras) CBS (IVA Dual) Impacto direto
Lógica de apuração Regras fragmentadas e regimes diversos IVA com crédito e foco na consistência Mais necessidade de prova e conciliação
Créditos Disputas frequentes e restrições por regime Crédito amplo, mas condicionado à validação Governança probatória vira “produto”
Documento fiscal Adequação parcial por obrigação acessória Documento e dados como eixo do crédito ERP e layout viram risco de caixa
Fiscalização Cruzamentos relevantes, mas heterogêneos Padronização e automação crescentes Menos margem para “ajuste manual”

Checklist L4 Taxx de prontidão para CBS em 2026

Use este checklist como base de governança interna para reduzir risco operacional e acelerar execução no ciclo 2026–2027.

  • Fiscal & compliance: mapear operações críticas, revisar classificação e parametrizações;
  • Documentos fiscais: validar layouts e campos IBS/CBS, regras de destaque e consistência;
  • Cadastros: saneamento de clientes/fornecedores (endereços, domicílio, regimes, validações);
  • Créditos e evidências: desenhar trilha probatória (lastro, vínculo, conciliação por período);
  • Contratos: revisar repasse tributário, preço, reajuste e responsabilidade por falhas documentais;
  • ERP e integrações: testes fim-a-fim com cenários reais e backlog priorizado;
  • Governança: comitê interno (fiscal, financeiro, compras, TI, jurídico) com RACI e cadência;
  • Risco e caixa: simular impacto em preço/margem e gatilhos de correção rápida.

Modelo de scoring L4 Taxx: prontidão CBS/IBS (0 a 100)

Modelo objetivo para comitê executivo priorizar orçamento e execução. Pontue cada dimensão de 0 a 20.

Dimensão 0–5 (crítico) 6–14 (atenção) 15–20 (pronto)
Processos Sem mapeamento Mapeado parcial Mapeado + controles
Sistemas (ERP) Sem testes Testes pontuais Testes fim-a-fim
Dados e cadastro Alta inconsistência Saneamento em curso Base validada
Prova e conciliação Sem trilha Trilha parcial Trilha + auditoria
Governança Sem dono Dono sem cadência Comitê + RACI + KPIs

Leitura rápida: 0–39 (risco alto), 40–69 (risco médio), 70–100 (risco controlado).

Estudos de Caso L4 Taxx – CBS na prática: governança, prova e execução

Objetivo destes estudos de caso: demonstrar, na prática, como governança, dados, processos, documentação e integração sistêmica constroem trilha probatória e reduzem risco de glosa, autuação, perda de margem e pressão de caixa na transição IBS/CBS — antes que o problema apareça na apuração ou na fiscalização.

Estudo de Caso 1 – Varejo com alta volumetria e risco de crédito por inconsistência de dados
  • Contexto: múltiplos CNPJs, alto volume de documentos e divergências cadastrais recorrentes;
  • Desafio: risco de crédito inconsistente e retrabalho de conciliação na transição;
  • Diagnóstico L4 Taxx: scoring apontou fragilidade em dados, prova e testes fim-a-fim;
  • Plano de ação: saneamento cadastral + trilha probatória + testes integrados ERP/fiscal;
  • Resultado: redução de falhas de documento e aumento de previsibilidade do crédito.
Estudo de Caso 2 – Serviços B2B com contratos longos e risco de repasse/precificação
  • Contexto: contratos com reajustes e repasses tributários pouco claros;
  • Desafio: risco de margem por disputa comercial e interpretação na transição;
  • Diagnóstico L4 Taxx: falhas de governança e ausência de gatilhos contratuais;
  • Plano de ação: revisão contratual + matriz de repasse + governança interáreas;
  • Resultado: redução de disputas e maior controle de margem projetada.
Estudo de Caso 3 – Indústria com cadeia longa e dependência de fornecedores
  • Contexto: cadeia com múltiplos elos e risco de “falha do fornecedor”;
  • Desafio: crédito e evidência dependentes de terceiros (documento/qualidade de dados);
  • Diagnóstico L4 Taxx: ausência de política formal de qualificação fiscal;
  • Plano de ação: qualificação + SLAs documentais + validação contínua e conciliação;
  • Resultado: redução do risco de glosa e maior estabilidade de custo tributário.

FAQ – principais dúvidas sobre a CBS em 2026

A CBS já “substitui” PIS/Cofins em 2026?

Em 2026, o foco é transição com cobrança-teste e adaptação operacional. O ponto crítico é preparar processos, sistemas, dados e trilha de crédito para o ciclo 2027–2033.

CBS e IBS são o mesmo imposto?

Não. A CBS é federal (União) e o IBS é estadual/municipal. Juntos, compõem o IVA Dual sobre bens e serviços.

O que muda primeiro dentro da empresa?

Cadastros, documento fiscal, parametrização do ERP, conciliação e governança do crédito. O risco nasce no detalhe operacional.

A CBS reduz ou aumenta a carga tributária?

Depende do setor, do modelo de negócio, do direito ao crédito e do desenho de alíquotas/reduções. O ponto prático é que a falta de prova e consistência pode transformar “potencial crédito” em custo real.

Qual é o maior risco em 2026?

Tratar a transição como tema contábil isolado e não como programa executivo interáreas (fiscal, financeiro, compras, TI, jurídico).

Como priorizar orçamento e execução?

Com scoring objetivo (0–100), priorizando gaps que geram perda de crédito, retrabalho e pressão de caixa: dados, ERP, prova e conciliação.

O que entra em um plano de 90 dias?

Saneamento cadastral, validação de layouts/documentos, testes fim-a-fim no ERP e desenho de trilha probatória com governança interáreas.

Conclusão: CBS é menos “novo imposto” e mais “nova disciplina operacional”

A CBS inaugura uma lógica em que crédito, prova e consistência deixam de ser detalhe e viram ativo financeiro. Em 2026, a empresa não precisa “adivinhar a alíquota final” para agir: precisa construir prontidão, integrar áreas e reduzir risco de glosa e autuação na transição.

Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa

Diagnóstico executivo e scoring de prontidão
  • Aplicação do Modelo de scoring L4 Taxx (0–100) com priorização;
  • Mapa de riscos por processo, sistema, dados e prova;
  • Roadmap 2026–2027 com marcos e métricas.
Governança e execução do IVA Dual
  • Comitê interno (RACI, cadência e KPIs) para fiscal, financeiro, compras, TI e jurídico;
  • Trilha probatória e conciliação (compras, vendas e créditos);
  • Política de qualificação fiscal de fornecedores e validação de documentos.
Prevenção de passivos e preservação de margem/caixa
  • Simulações de impacto em preço, margem e crédito;
  • Revisão de contratos e cláusulas de repasse;
  • Controles para reduzir glosas e disputas futuras.

2026 não é “ano de espera”. É ano de prontidão.

A L4 Taxx traduz a CBS em governança, processos e evidências — para que sua empresa atravesse a transição com previsibilidade, crédito sustentável e risco controlado.

Solicitar diagnóstico

 

Simulador: Reforma Tributária (IBS/CBS)

Analise o impacto do Split Payment e do Imposto Seletivo no seu fluxo de caixa.

1
Perfil
2
Financeiro
3
Resultado
Passo 1 de 3

Perfil da Empresa

Passo 2 de 3

Dados Financeiros

Preenchimento obrigatório.

Ex: Matéria-prima, Energia, Telecom, Aluguéis (PJ), Serviços tomados.

⚠️

Limite de Regime Excedido

Seu faturamento anualizado ultrapassa o teto permitido para o . A simulação abaixo considera a migração obrigatória de regime.

Simulação do Split Payment

Recebimento Bruto R$ 0,00
Retenção (IBS/CBS/IS) R$ 0,00
Caixa Líquido R$ 0,00
Hoje
Carga Tributária Atual
R$ 0,00
Alíquota Efetiva: 0%
  • Regime: ...
  • Setor: ...
Reforma
Novo Cenário (IBS/CBS)
R$ 0,00
Alíquota IVA: 26.5%
  • Débito (Venda): R$ 0,00
  • Crédito (Compra): R$ 0,00
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