Quando o Congresso define alíquotas do Imposto Seletivo em 2026, o impacto real não é “só imposto”: é precificação, margem, risco e governança para CFO, CEO, empresário, contador e jurídico. Em 2027, decisões erradas hoje podem virar perda de competitividade, aumento de exposição ao mercado ilegal e ruptura de previsibilidade no caixa — especialmente em setores sensíveis a preço e canal.
A discussão sobre cigarros e bebidas alcoólicas evidencia um dilema de política pública: tributar para desestimular consumo e financiar o Estado, sem abrir espaço para informalidade e crime organizado quando a diferença de preço explode. No caso do tabaco, o mercado ilegal já tem participação relevante e a evasão fiscal é material.
Por Thiago Leite — Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.
O que está em jogo: alíquotas em 2026, vigência em 2027
O Imposto Seletivo (IS) foi concebido como tributação adicional sobre bens e serviços considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente, com alíquotas específicas a serem definidas em legislação própria.
Para empresas, a leitura correta é operacional: IS altera o “mapa de preço” do mercado. Em produtos com alta sensibilidade a preço, a alavanca tributária pode deslocar demanda para canais informais, distorcer mix e reduzir previsibilidade de arrecadação e de concorrência.
Por que o caso do tabaco vira referência para toda a economia
Dados recentes indicam que o contrabando/ilegalidade já responde por cerca de 32% do mercado de cigarros e a evasão fiscal em 2024 foi estimada em R$ 7,2 bilhões.
Ao mesmo tempo, organizações de saúde apontam a tributação como ferramenta eficaz para reduzir consumo, com recomendação de que tributos representem pelo menos 75% do preço de varejo do tabaco.
O debate técnico relevante é: até que ponto a alta tributação explica o mercado ilegal? Há visões que atribuem peso maior à fiscalização e à lucratividade do ilícito.
Comparativo: 3 cenários de Imposto Seletivo e seus efeitos práticos
| Cenário | Como o mercado reage | Risco para empresas | O que muda na governança |
|---|---|---|---|
| IS alto e rápido | Aumenta a diferença de preço; canais buscam alternativas e “substitutos”. | Perda de volume; pressão em margem; competição desleal do informal. | Monitoramento por canal; reforço de compliance comercial e documental. |
| IS gradual e calibrado | Ajuste progressivo de preço; menor choque de demanda. | Risco moderado; necessidade de repasse e negociação com canais. | Simulações recorrentes; política de repasse e cláusulas comerciais. |
| IS alto com fiscalização fraca | Expande o incentivo econômico do ilícito. | Ruptura competitiva; risco reputacional; pressão em compliance e canais. | Due diligence de canal; rastreabilidade; controles anti-fraude e evidências. |
Análise técnica — Thiago Leite
“Imposto Seletivo não é um ‘tema do fiscal’. É uma variável de mercado.
Quando a tributação muda o preço relativo, ela muda o comportamento do canal, do consumidor e do concorrente. Se a empresa não tiver método de precificação, governança comercial e trilha de evidências, ela perde margem duas vezes: primeiro no repasse; depois na concorrência desleal do informal.”
— Thiago Leite, L4 Taxx
Alerta L4 Taxx – imposto alto sem método vira risco invisível
- Risco de canal: pressão por “alternativas” e aumento de informalidade;
- Risco de preço: repasse mal calibrado corrói volume ou margem;
- Risco de compliance: falha documental e comercial aumenta exposição;
- Risco reputacional: vínculo com canais problemáticos destrói confiança.
Checklist executivo: como se preparar para o Imposto Seletivo
- Mapear sensibilidade a preço por produto e canal: onde o repasse é possível e onde vira perda de volume;
- Revisar política comercial: regras de desconto, prazo, bonificação e impacto no preço final;
- Construir simulações recorrentes: cenários de alíquota, repasse parcial, mix e elasticidade;
- Fortalecer due diligence de canais: critérios de risco, documentação e rastreabilidade;
- Definir governança executiva: dono do tema, ritos mensais e KPIs (margem, volume, preço médio, risco por canal).
Scoring de prontidão para Imposto Seletivo (0–100)
| Critérios (20 pontos cada) | O que avaliar |
|---|---|
| Precificação e repasse | Capacidade de simular, decidir e executar repasse por canal e mix. |
| Governança comercial | Políticas de desconto, contrato, bonificação e controle do preço final. |
| Risco de canal | Due diligence, critérios anti-fraude e monitoramento de distribuição. |
| Compliance e evidências | Documentação, rastreabilidade e trilha para auditoria e fiscalização. |
| Gestão de portfólio | Ajuste de mix, embalagens, posicionamento e estratégia por categoria. |
Como interpretar o resultado
- 0–39: exposição alta; risco de repasse errado, perda de volume e vulnerabilidade em canais;
- 40–69: base parcial; falta método de simulação, política comercial e controle de risco;
- 70–89: boa prontidão; foco em ajustes finos de canal, contratos e governança executiva;
- 90–100: nível executivo; empresa opera com previsibilidade e controle de risco em cenários de alíquota.
Estudos de Caso L4 Taxx
Os estudos de caso abaixo mostram como inteligência tributária se traduz em aplicação prática, governança, documentação, integração sistêmica, trilha probatória e redução de risco de glosa, autuação, perda de margem e caixa no contexto IBS/CBS.
Estudo de Caso 1 – Indústria de bebidas com repasse desigual por canal
- Contexto: canais com poder de negociação diferente e alta sensibilidade a preço.
- Desafio: definir repasse sem perder volume e sem destruir margem.
- Diagnóstico L4 Taxx: ausência de simulações por canal e falta de política de precificação executável.
- Plano de ação: simulações recorrentes, revisão de contratos comerciais e ritos de decisão com KPI de margem/volume.
- Resultado: repasse calibrado, previsibilidade de margem e redução de retrabalho comercial.
Estudo de Caso 2 – Distribuidor com exposição a canais de alto risco
- Contexto: crescimento acelerado via canais pulverizados.
- Desafio: reduzir risco de informalidade e preservar reputação e regularidade.
- Diagnóstico L4 Taxx: due diligence fraca, baixa rastreabilidade e documentação incompleta.
- Plano de ação: política de canal, critérios de risco, trilha documental e monitoramento contínuo.
- Resultado: queda de exposição, melhoria de previsibilidade e governança comercial fortalecida.
Estudo de Caso 3 – Varejo com mix sensível e necessidade de reposicionamento
- Contexto: categorias com alta elasticidade e disputa por preço.
- Desafio: proteger margem sem perder relevância de preço ao consumidor.
- Diagnóstico L4 Taxx: falta de gestão de portfólio orientada por cenários tributários e comerciais.
- Plano de ação: simulação por mix, revisão de política promocional e governança de preço por categoria.
- Resultado: redução de erosão de margem e maior previsibilidade no desempenho por categoria.
FAQ – principais dúvidas sobre Imposto Seletivo em 2026
Este FAQ aborda dúvidas comuns sobre impacto do Imposto Seletivo em preço, risco, canais e governança para 2027.
O Imposto Seletivo é “só mais um imposto”?
Não. Ele altera o preço relativo e, portanto, muda comportamento de consumo e dinâmica de canal. Para empresas, vira tema de precificação, margem e risco.
Por que o debate do mercado ilegal entra nessa pauta?
Porque em categorias muito sensíveis a preço, aumentar a diferença entre produto legal e ilegal pode ampliar incentivos econômicos do ilícito.
O que as empresas precisam medir antes de 2027?
Elasticidade por categoria e canal, capacidade de repasse, risco de informalidade e impactos no mix e na margem.
Como a recomendação de 75% da OMS entra na discussão?
Ela é referência de política de saúde para tabaco: tributos como parcela majoritária do preço final, visando reduzir consumo.
Tributação alta causa diretamente mercado ilegal?
Não há consenso. Há evidências de que fiscalização, lucratividade e crime organizado são determinantes relevantes, e a tributação é apenas uma das variáveis do sistema.
Qual é o maior erro do C-level nesse tema?
Tratar como tema “do fiscal”. O risco aparece na ponta: contrato, canal, política comercial, repasse e evidências.
Qual o primeiro passo prático?
Criar simulações por cenário e canal, definir governança executiva do tema e reforçar due diligence e rastreabilidade nos canais mais sensíveis.
Conclusão – Imposto Seletivo em 2026: quando tributação vira variável de mercado
A definição de alíquotas em 2026 deve reorganizar preço, competição e risco com vigência em 2027. Em setores sensíveis, vence quem opera com método: simula cenários, governa preços, controla canais e sustenta decisões com evidências. Não é discurso fiscal; é disciplina executiva.
Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa
A transição para o Imposto Seletivo exige integração real entre fiscal, finanças, jurídico e comercial, com foco em previsibilidade, redução de risco e proteção de margem e caixa. A L4 Taxx atua para transformar regra em método e decisão em execução.
Diagnóstico
- Mapeamento de exposição por categoria, canal e mix;
- Levantamento de riscos comerciais e de compliance por distribuição;
- Plano de ação com prioridades, ondas de execução e indicadores.
Compliance tributário
- Desenho de políticas, rotinas e controles com governança e ritos executivos;
- Padronização de documentação e evidências por evento e canal;
- Redução de risco operacional e melhoria de consistência para fiscalização.
Compensação de créditos
- Rotinas de conciliação e sustentação documental onde houver direito a crédito;
- Indicadores de divergência e prevenção de glosa com critérios claros;
- Governança de evidências para reduzir custo invisível no caixa.
Planejamento fiscal estratégico
- Simulações por cenário (alíquota, repasse, mix, canal) com foco em custo efetivo;
- Estratégia contratual com cláusulas de repasse, gatilhos e reequilíbrio;
- Roadmap executivo para proteger margem e previsibilidade.
Revisão e recuperação de tributos pagos indevidamente
- Revisões de bases e parametrizações com trilha documental robusta;
- Correções estruturais para evitar recorrência de perdas;
- Integração com governança para sustentação contínua.
Transação tributária e regularização de passivos
- Estratégia de regularização com foco em previsibilidade de caixa;
- Organização documental e narrativa técnica para negociação;
- Gestão de passivos para preservar capacidade de investimento.
Quer se preparar para o Imposto Seletivo com método?
A L4 Taxx estrutura simulações, governança de preço e controles de compliance para reduzir risco, proteger margem e manter previsibilidade quando as alíquotas forem definidas.

