O governo vai colocar a mão no seu caixa antes de você. A partir de 2027, entra em vigor o Split Payment — o mecanismo que retém automaticamente o imposto no momento do pagamento. Você vende, o cliente paga, e o tributo vai direto para a Receita Federal. O dinheiro do imposto deixa de passar pelo caixa da empresa. O que hoje funciona como oxigênio financeiro simplesmente desaparece.
Essa não é uma mudança conceitual. É uma ruptura estrutural na lógica de capital de giro das empresas brasileiras, especialmente em setores de alta frequência de transações e margens apertadas.
Por Thiago Leite — Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.
O que muda na prática com o Split Payment
Hoje, quando uma empresa fatura R$ 1.000, ela recebe os R$ 1.000 integralmente. O imposto é recolhido depois, no mês seguinte. Esse intervalo sustenta folha, fornecedores, estoque e operação.
Com o Split Payment:
- o pagamento é automaticamente dividido pelo sistema bancário;
- parte líquida vai para a empresa;
- o imposto vai direto para o governo;
- o valor tributário nunca mais entra no caixa.
Exemplo simplificado:
- Antes: R$ 1.000 entram no caixa → imposto pago depois;
- Depois: R$ 720 entram no caixa → R$ 280 vão direto ao Fisco.
Esse “colchão” de capital de giro deixa de existir.
Os números que preocupam conselhos e CFOs
Estimativas indicam que apenas as 10 maiores varejistas do país terão cerca de R$ 12 bilhões retirados do caixa com o novo modelo. Isso equivale a aproximadamente 40% de todos os tributos que essas empresas pagam hoje, agora antecipados.
A alíquota estimada do IVA gira em torno de 28%. Não é aumento de imposto. É antecipação brutal de recolhimento.

Análise técnica — Thiago Leite
“O Split Payment não muda a carga tributária, mas muda quem financia o Estado. Hoje, as empresas financiam temporariamente o governo usando o próprio caixa. A partir de 2027, esse financiamento acaba.
O risco não está no imposto em si, mas na liquidez. Empresas que não recalcularem capital de giro, prazos, linhas de crédito e estrutura de preços vão sentir o impacto direto na operação. Não é um tema fiscal. É um tema de sobrevivência financeira.”
— Thiago Leite, L4 Taxx
Como as empresas estão se preparando (ou não)
Pesquisa da KPMG revela um cenário preocupante:
- 86% não têm visão consolidada dos impactos financeiros;
- 72% não possuem orçamento estruturado para a transição;
- 51% não elaboraram plano de ação;
- apenas 3% concluíram a análise tecnológica.
Isso significa que a maioria das empresas ainda não traduziu o Split Payment em números, caixa e decisões.
Cronograma oficial do Split Payment
- 2026: fase de testes, com alíquotas simbólicas;
- 2027: Split Payment opcional no B2B, depois obrigatório;
- Expansão: avanço gradual para operações B2C;
- 2033: sistema plenamente implementado.
Setores mais vulneráveis
- Varejo;
- Serviços B2B (tecnologia, consultorias, advocacia);
- Empresas com margens apertadas;
- Negócios com alto volume e baixa unidade de valor;
- Operações dependentes de giro rápido de caixa.
Alerta L4 Taxx – O imposto sai do caixa antes da decisão
O Split Payment transforma o Fisco em um “sócio invisível” do fluxo de caixa — ele recebe primeiro, sem negociar prazo. Ignorar isso é comprometer liquidez, rating de crédito e capacidade de crescimento.
5 perguntas que todo conselho deveria fazer agora
- Quanto do nosso capital de giro hoje depende do intervalo entre faturamento e recolhimento?
- Qual é o impacto projetado na liquidez com a retenção automática?
- Precisaremos de novas linhas de crédito para cobrir essa lacuna?
- Nossos sistemas (ERP, faturamento, conciliação) estão preparados?
- Existe governança integrada entre fiscal, financeiro, TI e jurídico?
Conclusão: o imposto não aumenta, mas o risco sim
O Split Payment não eleva alíquotas, mas altera radicalmente o fluxo financeiro das empresas. Quem tratar o tema como detalhe fiscal chegará em 2027 reagindo. Quem tratar como projeto estratégico atravessa a transição com controle.
Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa
Diagnóstico financeiro e tributário
- Simulação de impacto no capital de giro;
- Análise de liquidez e necessidade de funding;
- Mapeamento de riscos por unidade de negócio.
Governança e execução da transição
- Integração fiscal, financeira e tecnológica;
- Preparação de sistemas para Split Payment;
- Redesenho de processos e prazos.
Estratégia para 2027–2033
- Planejamento de caixa e precificação;
- Mitigação de impacto em margens;
- Decisões orientadas à estabilidade.
O governo vai receber primeiro. A pergunta é: sua empresa está pronta?
A L4 Taxx transforma o Split Payment em números, processos e decisões antes que ele vire crise de caixa.
Simulador Reforma Tributária (IBS/CBS)
Analise o impacto no seu Fluxo de Caixa (Split Payment) e na Carga Tributária Líquida.
Perfil da Empresa
Dados Financeiros
Preenchimento obrigatório.
Ex: Matéria-prima, Energia, Telecom, Aluguéis (PJ), Serviços tomados.
Seu faturamento anualizado ultrapassa o limite permitido para o .
⚡ Split Payment
Valor estimado retido automaticamente na liquidação financeira:
Carga Atual
- Regime: ...
- Porte: ...
- Setor: ...
Novo Cenário
- Débito (Venda): R$ 0,00
- Crédito (Compra): R$ 0,00
Memória de Cálculo
- Base de Cálculo: R$ 0,00
- Base de Crédito: R$ 0,00
- Alíquota Anterior: 0%
- Método: Cumulativo

