O Confia não é “mais um cadastro” na Receita. É um modelo de relação. Quando a Receita prorroga o prazo de inscrição até 20 de março de 2026, ela está, na prática, dando mais tempo para as empresas decidirem se vão operar no modo “conflito e reação” — ou no modo “governança e previsibilidade”.
A prorrogação existe por um motivo simples: em grandes empresas, a decisão não é operacional. É de liderança. Envolve risco reputacional, controles, processos internos, matriz de riscos e alinhamento fiscal-financeiro-jurídico.
Por Thiago Leite – Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.
O que é o Confia (e por que ele não é “benefício”)
O Programa de Conformidade Cooperativa Fiscal (Confia) propõe um relacionamento mais colaborativo entre Receita e grandes contribuintes, com foco em reduzir litígios, aumentar previsibilidade e incentivar boas práticas de conformidade.
Na prática, o Confia muda três coisas:
- Ritual: o diálogo tende a ser mais estruturado e com governança;
- Tempo: problemas são tratados antes de virar contencioso de alto custo;
- Responsabilidade: a empresa precisa “provar maturidade” por processo, não por discurso.
O que mudou: prazo prorrogado para 20/03/2026
A Receita Federal prorrogou o prazo de inscrição na primeira edição do Confia para 20 de março de 2026. O objetivo é acomodar ciclos decisórios longos e processos internos de aprovação típicos de grandes empresas.
Quem pode se candidatar (recorte objetivo)
O Confia é direcionado aos maiores contribuintes, com vagas limitadas. O ponto central é: ele não foi desenhado para “qualquer empresa”, e sim para organizações com estrutura e governança capazes de sustentar uma relação cooperativa com o Fisco.
Etapas do Confia: o que sua empresa precisa atravessar
A candidatura passa por trilhas até a certificação. Para fins executivos, o essencial é entender que há uma jornada: o Confia exige maturidade progressiva, com evidências e controles.
O que isso significa na prática
- Mapear processos críticos fiscais e aduaneiros;
- Demonstrar governança e trilha de decisão;
- Organizar documentação, evidências e consistência de dados;
- Definir ponto focal e protocolo interno de resposta e escalonamento.
Alerta L4 Taxx – entrar no Confia sem estrutura vira risco operacional
- Sem dados consistentes, você troca litígio futuro por exposição imediata;
- Sem governança, o “ponto focal” vira gargalo e o programa vira retrabalho;
- Sem política interna, cada área responde diferente e a empresa perde coerência;
- Sem trilha probatória, boa-fé vira opinião — e opinião não protege empresa.
Benefícios esperados: o que realmente importa para o C-level
Os ganhos relevantes do Confia não são “favor” fiscal. São ganhos de previsibilidade e redução de custo total do conflito.
Benefícios que importam
- Previsibilidade: menos surpresa, mais capacidade de planejar;
- Redução de litígio: menos contencioso como estratégia involuntária;
- Organização interna: o fiscal para de ser “área reativa” e vira governança;
- Velocidade: problemas tratados antes de escalarem em custo e ruído.
Comparativo: Confia vs “modelo tradicional” de relação com o Fisco
| Ponto | Modelo tradicional | Confia | Pergunta executiva |
|---|---|---|---|
| Gestão de risco | Risco tratado depois do problema. | Risco tratado por governança e evidências. | “Eu consigo prever o impacto fiscal?” |
| Tempo | Discussão vira contencioso e arrasta. | Discussão tende a ocorrer mais cedo e com rito. | “Quanto custa o tempo de litígio?” |
| Organização | Conhecimento na cabeça de poucos. | Processo, trilha e consistência viram requisito. | “Se a pessoa sair, eu perco controle?” |
| Reputação | Risco reputacional aparece em crise. | Reputação é tratada por disciplina e postura. | “Eu sei como pareço para o Fisco?” |
Análise técnica — Thiago Leite
“O Confia é um teste de maturidade.
Não é para ‘ganhar tempo’. É para ganhar previsibilidade. E previsibilidade só existe quando a empresa tem governança de dados, controles e uma cultura de consistência fiscal.
Se a sua operação depende de improviso, o Confia expõe. Se depende de método, o Confia potencializa.”
— Thiago Leite, L4 Taxx
Checklist: sua empresa está pronta para uma relação cooperativa?
- Existe política formal de governança tributária (papéis, ritos, donos e escalonamento)?
- Há consistência entre ERP, SPEDs, NF-e/NFS-e e demonstrações contábeis?
- Existe trilha probatória organizada para temas sensíveis (crédito, classificação, contratos)?
- As áreas fiscal, contábil, jurídico e financeiro falam a mesma língua?
- Você tem “mapa de risco” com materialidade e probabilidade, revisado periodicamente?
- Há capacidade de resposta com prazo, qualidade e evidência, sem depender de heróis?
Scoring L4 Taxx (0–100): prontidão para o Confia
| Critérios (20 pontos cada) | O que medir objetivamente |
|---|---|
| Governança e ritos | Políticas, donos, reuniões, atas, matriz de decisão e escalonamento. |
| Consistência de dados | ERP x SPED x NF x contabilidade: reconciliações e evidências. |
| Trilha probatória | Documentos, contratos, memórias de cálculo, pareceres e dossiês. |
| Gestão de risco fiscal | Mapa de risco, materialidade, plano de mitigação e monitoramento. |
| Capacidade de resposta | Ponto focal, SLA interno, qualidade técnica e tempo de entrega. |
Como interpretar
- 0–39: alto risco de exposição e retrabalho ao buscar programas cooperativos.
- 40–69: base existe, mas precisa de reconciliação de dados e política formal.
- 70–89: prontidão consistente, com pontos de melhoria em dossiês e resposta.
- 90–100: maturidade alta: governança sólida e cultura de consistência.
Estudos de Caso L4 Taxx
Os casos abaixo mostram como governança, consistência de dados e trilha probatória reduzem litígio, protegem reputação e aumentam previsibilidade — exatamente o que programas cooperativos exigem.
Estudo de Caso 1 – Dados divergentes virando risco fiscal recorrente
- Contexto: ERP e obrigações acessórias divergiam em classificações e bases.
- Desafio: eliminar inconsistências e reduzir risco de autuações por “sinais” digitais.
- Diagnóstico L4 Taxx: ausência de reconciliações e falta de dono do dado.
- Plano de ação: trilha de reconciliação mensal, governança de cadastros e dossiês por tema.
- Resultado: redução de retrabalho e previsibilidade de risco em comitê fiscal.
Estudo de Caso 2 – Tema sensível sem trilha probatória
- Contexto: operação tinha tese e crédito, mas faltava evidência e documentação organizada.
- Desafio: sustentar tecnicamente sem depender de “memória” do time.
- Diagnóstico L4 Taxx: risco alto por ausência de dossiê e governança documental.
- Plano de ação: construção de dossiê executivo, memórias de cálculo, parecer e trilha de aprovação.
- Resultado: queda de risco reputacional e aumento de segurança decisória do CFO.
Estudo de Caso 3 – Fiscal reativo virando governança integrada
- Contexto: fiscal respondia demandas urgentes sem rito e sem priorização.
- Desafio: transformar reação em método, com indicadores e agenda.
- Diagnóstico L4 Taxx: ausência de comitê, SLA e mapa de risco materializado.
- Plano de ação: comitê fiscal-financeiro, matriz de risco, playbooks e protocolo de resposta.
- Resultado: previsibilidade operacional e redução de “crise” como rotina.
FAQ – principais dúvidas sobre o Confia
A seguir, respondemos dúvidas comuns sobre a prorrogação e o que muda na prática para grandes empresas.
Confia é “benefício” fiscal?
Não. É um modelo de relação e governança. O ganho é previsibilidade e redução de custo de litígio.
Por que a Receita prorrogou o prazo?
Porque grandes empresas têm ciclos longos de decisão e aprovação interna, e o programa exige alinhamento executivo.
Entrar no Confia reduz risco automaticamente?
Não. Se a empresa não tiver dados consistentes e trilha probatória, a exposição pode aumentar.
O que mais pesa para estar pronto?
Governança (papéis e ritos), consistência de dados (ERP x obrigações) e documentação organizada.
Quem deve “patrocinar” o tema dentro da empresa?
C-level com fiscal, contábil, jurídico e financeiro alinhados. Sem patrocínio, vira iniciativa frágil.
Qual erro mais comum ao buscar conformidade cooperativa?
Tratar como projeto do fiscal apenas, sem envolver dados, processos, contratos e governança.
Como começar com segurança antes de aderir?
Com diagnóstico de prontidão, mapa de risco, reconciliações e criação de dossiês dos temas sensíveis.
Conclusão: Confia é sobre previsibilidade — e previsibilidade exige método
A prorrogação do prazo até 20/03/2026 é uma janela para fazer do jeito certo: decidir com governança, mapear riscos, organizar dados e construir trilha probatória. Para empresas maduras, o Confia tende a reduzir atrito e aumentar previsibilidade. Para empresas desorganizadas, ele vira lupa.
Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa
A L4 Taxx atua para transformar conformidade em governança executiva — com método, evidência e integração fiscal-financeira. Nosso foco é preparar sua empresa para ambientes de fiscalização digital e programas cooperativos sem improviso, reduzindo litígio, ruído e custo de ineficiência.
Diagnóstico de prontidão para o Confia e conformidade cooperativa
- Mapeamento de riscos por materialidade, probabilidade e impacto (financeiro e reputacional);
- Levantamento de “temas sensíveis” e pontos de divergência recorrente (dados, classificação, contratos);
- Roadmap de adequação com ondas (curto, médio e longo prazo) e responsáveis claros.
Governança tributária estruturante (do fiscal para o C-level)
- Criação/fortalecimento de política tributária formal (papéis, ritos, alçadas e escalonamento);
- Implantação de comitê fiscal-financeiro-jurídico com agenda, indicadores e decisões registradas;
- Protocolos internos de resposta e SLA para intimações, auditorias e demandas de alta criticidade.
Consistência de dados e trilha probatória (o que sustenta previsibilidade)
- Reconciliações entre ERP, documentos fiscais eletrônicos e obrigações acessórias;
- Governança de cadastros (produtos/serviços, naturezas, CST/CSOSN quando aplicável, regras internas);
- Estruturação de dossiês técnicos (contratos, memórias de cálculo, pareceres, evidências e aprovações).
Redução de litígio e blindagem de decisão (sem “atalhos”)
- Revisão de práticas que geram risco repetitivo (inconsistência, falta de evidência, processos sem dono);
- Estratégias de correção preventiva e autorregularização quando aplicável;
- Estrutura de decisão para o CFO/CEO: impacto, risco, alternativa, evidência e plano de execução.
Integração fiscal-financeira para previsibilidade de caixa
- Tradução do risco fiscal em linguagem de caixa, provisão, contingência e impacto em margem;
- Rotinas de monitoramento para evitar “surpresas” e reduzir custo de urgência;
- Disciplina para transformar conformidade em vantagem: menos ruído, mais foco no negócio.
Conformidade cooperativa não é promessa de tranquilidade. É disciplina de governança. E governança se constrói antes da lupa — não depois.
Quer decidir o Confia com método — e sem exposição desnecessária?
A L4 Taxx prepara sua empresa com diagnóstico de prontidão, governança tributária e consistência de dados para operar com previsibilidade em 2026 — com evidências, ritos e controle executivo.
Simulador: Nota Fiscal e Reforma 2026
Calcule o impacto da transição com IBS (0,1%) e CBS (0,9%) sobre a base reduzida, evitando imposto sobre imposto.
Contexto da Operação
Valores da Nota Fiscal
Preenchimento obrigatório.
Valor bruto emitido na nota.
Alíquotas Atuais (Estimadas)
Valores sugeridos baseados no regime. Você pode ajustar se necessário.
Fluxo da Transição (Regra 2026)
- ISS/ICMS: R$ 0,00
- PIS/COFINS: R$ 0,00
- IBS (0,1%): R$ 0,00
- CBS (0,9%): R$ 0,00
Memória de Cálculo
Detalhamento da base de cálculo reduzida (Evitando Imposto sobre Imposto):
| Item / Descrição | Alíquota | Valor |
|---|---|---|
| (+) Valor Bruto da Nota | - | R$ 0,00 |
| (-) Dedução: Impostos Atuais | 0% | - R$ 0,00 |
| (=) Base de Cálculo Arbitrada | - | R$ 0,00 |
| (+) IBS (Novo Imposto) | 0,10% | R$ 0,00 |
| (+) CBS (Novo Imposto) | 0,90% | R$ 0,00 |
| TOTAL GERAL DE TRIBUTOS | 0% | R$ 0,00 |
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