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RETID: perda de insumos reativa tributos suspensos

21/10/2026


RETID e perda de insumos receberam uma definição relevante da Receita Federal nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026. Pela Solução de Consulta Cosit nº 202, a deterioração ou perda de validade de matéria-prima e a destruição de produtos semiacabados em testes destrutivos, quando ocorridas antes da obtenção do Produto Estratégico de Defesa, impedem a conversão dos tributos suspensos em alíquota zero. Nessa situação, a empresa fica sujeita ao recolhimento dos tributos suspensos com os acréscimos previstos na legislação.

RETID e perda de insumos deixam, portanto, de ser apenas um assunto de estoque, qualidade ou engenharia. Para empresas da Base Industrial de Defesa, um lote vencido, uma matéria-prima deteriorada ou um componente consumido em teste destrutivo pode produzir efeito tributário direto se o evento ocorrer antes do cumprimento da condição necessária à fruição definitiva do benefício. Fiscal, produção, P&D, almoxarifado e controladoria precisam compartilhar a mesma informação.

Resposta direta: a Receita Federal definiu que, na hipótese analisada pela Solução de Consulta Cosit nº 202/2026, a suspensão tributária do RETID não se converte em alíquota zero quando a matéria-prima se deteriora, perde validade ou é destruída em produto semiacabado durante teste destrutivo antes da obtenção do PED. Os tributos anteriormente suspensos devem ser recolhidos com juros e multa, de mora ou de ofício, conforme a legislação aplicável. Empresas habilitadas ao regime devem revisar imediatamente eventos de perda, descarte e testes relacionados a insumos adquiridos com suspensão.

O RETID foi criado pela Lei nº 12.598/2012 para incentivar a indústria de defesa e permite, nas operações previstas em lei, adquirir ou importar determinados bens, componentes, insumos e matérias-primas com suspensão de PIS/Pasep, Cofins e IPI. A suspensão, porém, não representa necessariamente desoneração definitiva no momento da compra.

A conversão da suspensão em alíquota zero depende do cumprimento das condições estabelecidas na legislação. É justamente nesse ponto que a nova solução de consulta ganha importância: um evento operacional que impeça o insumo de chegar ao destino jurídico exigido pelo regime pode reativar o custo tributário.

Para a L4 Taxx, o ponto estratégico está na integração operacional. Um regime especial só permanece seguro quando o ERP consegue ligar benefício fiscal, lote, ordem de produção, consumo, perda, teste, destinação e documentação comprobatória.

Por Thiago Leite — Especialista em Inteligência Tributária e Sócio da L4 Taxx.

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Conteúdo da Postagem:

RETID e perda de insumos: o que a Receita decidiu?

A Solução de Consulta Cosit nº 202 trata do Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa em situação envolvendo matéria-prima adquirida sob suspensão tributária e destinada à produção ou ao desenvolvimento de Produto Estratégico de Defesa.

A Receita examinou eventos em que essa matéria-prima se deteriora ou perde a validade e situações em que produtos semiacabados são destruídos durante testes destrutivos antes da obtenção do PED. Para esses casos, a conclusão foi objetiva: não ocorre a conversão da suspensão dos tributos em alíquota zero.

Suspensão tributária não é desoneração definitiva

Esse é o primeiro conceito que precisa estar claro no controle empresarial. A suspensão posterga a exigência tributária enquanto se aguarda o cumprimento da condição prevista pelo regime. A alíquota zero definitiva surge apenas quando o fato exigido pela legislação efetivamente se concretiza.

Quando o bem deixa de seguir a destinação necessária antes desse momento, a empresa precisa verificar as consequências previstas no RETID. A Solução de Consulta nº 202 confirma que perda, deterioração ou destruição no cenário analisado não substituem o cumprimento da condição legal.

O PED é parte central da análise

A Lei nº 12.598 define Produto Estratégico de Defesa como produto de defesa que, por seu conteúdo tecnológico, dificuldade de obtenção ou imprescindibilidade, seja considerado de interesse estratégico para a defesa nacional. O enquadramento possui disciplina própria e participação do Ministério da Defesa.

A nova solução de consulta destaca a relevância temporal desse reconhecimento. O problema analisado ocorre justamente porque a matéria-prima ou o produto semiacabado desaparece economicamente antes que seja obtido o PED relacionado à estrutura prevista no regime.

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Testes destrutivos passam a exigir leitura tributária integrada

Em setores de alta complexidade tecnológica, testes destrutivos podem fazer parte natural de processos de desenvolvimento, certificação, validação de segurança e controle de qualidade. O fato de a destruição possuir finalidade técnica legítima, contudo, não significa que ela cumpra automaticamente as condições fiscais do RETID.

A Receita separa a necessidade industrial do efeito tributário. Se o produto semiacabado é destruído antes da obtenção do PED nas condições analisadas, a suspensão não chega ao estágio de conversão em alíquota zero.

Engenharia precisa comunicar o fiscal antes do descarte

Em muitas empresas, a decisão de descartar um lote, inutilizar um protótipo ou consumir componentes em teste ocorre dentro da engenharia ou da qualidade. O departamento fiscal pode tomar conhecimento apenas semanas depois, quando o estoque já foi baixado contabilmente.

Esse intervalo cria risco. Se o material havia sido adquirido com tratamento suspensivo, a baixa precisa acionar uma análise tributária específica, porque a consequência não é a mesma de um insumo adquirido sob tributação ordinária.

Perda de validade também deve gerar alerta automático

Matéria-prima com prazo de validade merece controle preventivo. A proximidade do vencimento não é apenas problema de estoque: em regime especial, pode representar risco de recomposição tributária caso o insumo não seja empregado dentro das condições previstas.

Empresas com materiais críticos deveriam utilizar alertas antecipados por lote, permitindo que produção, planejamento e fiscal identifiquem o risco antes da deterioração efetiva.

Análise técnica — Thiago Leite

O ponto mais importante da Solução de Consulta nº 202 é mostrar que um benefício tributário pode ser perdido por um fato operacional legítimo. A empresa pode ter comprado corretamente, utilizado o regime corretamente e realizado um teste tecnicamente necessário, mas ainda assim surgir obrigação tributária se a condição legal para a conversão da suspensão não tiver sido cumprida.

Isso muda a governança do RETID. Não basta conferir habilitação e nota fiscal na entrada. O controle precisa acompanhar o ciclo físico do material até o emprego, a produção, o teste, a obtenção do PED e a baixa patrimonial. O benefício fiscal só está realmente controlado quando a companhia consegue provar o destino de cada aquisição realizada com suspensão.

— Thiago Leite, CEO L4 Taxx

Alerta L4 Taxx – baixa de estoque pode esconder passivo tributário

Dar baixa contábil em matéria-prima vencida ou componente destruído não encerra necessariamente a obrigação vinculada ao RETID. Se o material foi adquirido com tributos suspensos, a empresa precisa verificar imediatamente se ocorreu ou não o evento legal que permitiria a conversão em alíquota zero. Tratar a perda apenas como custo industrial pode deixar PIS/Pasep, Cofins, IPI, juros e multas fora da contingência.

O impacto pode envolver principal, juros e multa

A ementa da Solução de Consulta nº 202 afirma que, ocorrendo os eventos analisados antes da obtenção do PED, os tributos suspensos devem ser recolhidos acrescidos de juros e multa, de mora ou de ofício, na forma da legislação específica. Isso significa que o custo pode ser superior ao tributo originalmente suspenso.

A diferença entre regularizar espontaneamente uma ocorrência identificada internamente e descobrir o problema em fiscalização também pode ser relevante. Por isso, o tempo de detecção do evento precisa ser tratado como variável de compliance.

O RETID pode envolver PIS/Pasep, Cofins e IPI

O serviço oficial da Receita Federal informa que o RETID permite aquisições e importações, nas hipóteses legais, com suspensão de PIS/Pasep, Cofins e IPI. A combinação efetiva depende da operação e do bem envolvido.

Ao revisar uma perda, a empresa precisa reconstruir exatamente quais tributos foram suspensos na aquisição específica. Utilizar uma alíquota padrão ou estimativa agregada pode levar a provisionamento incorreto.

O benefício pode permanecer disponível até 2032 nas condições legais

A legislação atualmente permite a fruição dos benefícios do RETID nas operações realizadas entre a habilitação da pessoa jurídica e 22 de março de 2032, ressalvado o cumprimento dos requisitos do regime.

Esse horizonte torna ainda mais importante construir controles permanentes. Uma empresa que opera o regime por vários anos pode acumular grande quantidade de lotes, ordens de produção e eventos de estoque sujeitos à rastreabilidade.

A fiscalização envolve Receita e Ministério da Defesa

O Decreto nº 8.122/2013 estabelece competências de fiscalização relacionadas ao RETID e atribui ao Ministério da Defesa papel no acompanhamento da utilização dos bens e serviços adquiridos com os benefícios do regime.

O compliance, portanto, não deve ser desenhado apenas para responder a uma conferência fiscal de documentos tributários. A empresa precisa demonstrar também coerência técnica e produtiva entre os materiais beneficiados e a finalidade vinculada ao setor de defesa.

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Fato, interpretação e metodologia: RETID e perda de insumos
  • Fato confirmado: a Solução de Consulta Cosit nº 202 foi publicada em 21 de outubro de 2026 e trata da perda, deterioração e destruição de materiais adquiridos no contexto do RETID antes da obtenção do PED.
  • Fato confirmado: a Receita concluiu que, nessa hipótese, a suspensão não se converte em alíquota zero e os tributos suspensos devem ser recolhidos com juros e multa conforme a legislação específica.
  • Fato confirmado: o RETID pode abranger suspensão de PIS/Pasep, Cofins e IPI nas operações previstas pela legislação.
  • Interpretação técnica: perdas de estoque, vencimentos e testes destrutivos passam a exigir gatilho fiscal formal dentro dos controles industriais da empresa.
  • Hipótese: empresas que controlam o RETID apenas pelo documento fiscal de entrada podem possuir exposições não identificadas em estoques baixados ou protótipos destruídos ao longo do desenvolvimento.
  • Metodologia L4 Taxx: vincular cada aquisição com suspensão a lote, ordem de produção, finalidade, evento de consumo, teste, perda, reconhecimento do PED e documentação do desfecho tributário.

Controles essenciais para materiais adquiridos com RETID

Controle O que analisar/reconciliar Risco de falha Evidência recomendada
Habilitação Situação da pessoa jurídica no RETID. Usufruir suspensão fora das condições do regime. ADE de habilitação e cadastro atualizado.
Aquisição beneficiada Nota, item, tributos suspensos e finalidade. Não saber quais tributos precisam ser recompostos. NF-e, documentos de importação e memória tributária.
Lote e validade Prazo de uso e localização física. Descobrir o vencimento somente após a perda. Controle de lote no ERP ou WMS.
Ordem de produção Produto e projeto em que o material foi empregado. Perder o vínculo entre aquisição e destinação. Ordem, requisição e apontamento industrial.
Teste destrutivo Data, quantidade e finalidade técnica. Baixa ocorrer sem análise tributária. Laudo de teste e registro de consumo.
Perdas e descartes Motivo, quantidade e momento da ocorrência. Não identificar obrigação de recolhimento. Laudo, aprovação e baixa de estoque.
Status do PED Situação no momento do evento. Ignorar o marco temporal destacado pela consulta. Documentação técnica e regulatória.
Recolhimento Principal, juros e multa aplicáveis. Subestimar a contingência. Memória de cálculo e comprovantes.

Checklist estratégico para empresas habilitadas ao RETID

  • Todos os itens adquiridos com suspensão estão identificados individualmente?
  • O ERP registra quais tributos foram suspensos em cada aquisição?
  • Matérias-primas possuem alerta de validade e risco de deterioração?
  • Testes destrutivos geram comunicação automática ao departamento fiscal?
  • Perdas e descartes são aprovados com documentação técnica?
  • O material está vinculado à ordem de produção ou ao projeto correto?
  • O status do PED é verificado antes da baixa do item?
  • A empresa calcula tempestivamente os tributos que deixam de se converter em alíquota zero?
  • Fiscal, engenharia, qualidade e estoque utilizam a mesma base de eventos?
  • Existe dossiê para demonstrar o destino de cada aquisição relevante realizada sob o regime?
Scoring L4 Taxx: Índice de Maturidade do RETID

O Scoring L4 Taxx mede a capacidade da empresa de acompanhar o benefício tributário desde a aquisição até a destinação final do material. É metodologia analítica própria, não oficial, não vinculante e não garante manutenção do regime ou afastamento de exigências fiscais.

Pontuação Interpretação Conduta recomendada
0–39 Exposição crítica Inventariar materiais beneficiados e revisar perdas históricas antes de novas utilizações relevantes.
40–69 Controle parcial Integrar estoque, produção e fiscal e criar gatilhos para perdas e testes.
70–89 Maturidade avançada Auditar exceções e revisar automaticamente lotes próximos do vencimento.
90–100 Alta maturidade Manter rastreabilidade integral e revisão periódica das condições do regime.

Como calcular o scoring de RETID e perda de insumos

O Scoring L4 Taxx utiliza cinco dimensões de até 20 pontos cada, totalizando 100 pontos. A análise deve ser baseada em aquisições reais realizadas com suspensão e em evidências que permitam acompanhar fisicamente e fiscalmente cada material relevante.

Dimensão 0–5 pontos 6–10 pontos 11–15 pontos 16–20 pontos
Identificação tributária Itens beneficiados não são identificados no sistema. Controle existe em planilha isolada. Principais aquisições possuem marcação no ERP. Item, tributo suspenso, documento e finalidade são rastreáveis automaticamente.
Rastreabilidade física Não existe vínculo entre compra e consumo. Lote é controlado apenas parcialmente. Materiais críticos estão vinculados à produção. Cada lote é rastreável da entrada até consumo, perda, teste ou produto final.
Gestão de perdas e testes Baixas ocorrem sem comunicação fiscal. Fiscal recebe relatórios com atraso. Eventos materiais possuem fluxo de aprovação. Teste, perda e descarte acionam automaticamente análise tributária antes da baixa definitiva.
Controle do PED Status do PED não é integrado ao fiscal. Informação depende de consulta manual. Projetos relevantes possuem status documentado. Status técnico e regulatório é verificado antes de qualquer evento que altere o destino do material.
Governança tributária Recolhimentos são identificados somente em fiscalização. Revisões são esporádicas e manuais. Eventos materiais passam por revisão fiscal. Fiscal, engenharia, qualidade, estoque e contabilidade operam sob controles integrados e auditáveis.
Como chegar à pontuação final

Atribua de 0 a 20 pontos para cada dimensão e some os cinco resultados. Exemplo: identificação tributária 18 + rastreabilidade física 16 + gestão de perdas e testes 13 + controle do PED 15 + governança tributária 17 = 79 pontos. O resultado indica maturidade avançada, mas recomenda reforçar o processo que comunica testes e perdas ao fiscal antes da baixa do estoque.

Importante: o scoring é metodologia própria da L4 Taxx, não é classificação oficial da Receita Federal ou do Ministério da Defesa, não vincula autoridades, não garante manutenção do RETID ou da suspensão tributária e não substitui análise tributária, jurídica, contábil, industrial ou financeira individualizada.

Erros comuns no controle do RETID

Tratar suspensão como economia definitiva na entrada

Esse é um dos erros mais relevantes. A compra com suspensão ainda está vinculada às condições do regime, e fatos posteriores podem impedir a conversão em alíquota zero.

Excluir perdas técnicas do controle tributário

Uma perda pode ser plenamente justificável do ponto de vista de engenharia e, ao mesmo tempo, produzir obrigação fiscal. A legitimidade técnica do teste não substitui o requisito tributário.

Dar baixa no estoque antes da validação fiscal

Quando o item desaparece do sistema sem preservar lote, documento, projeto e motivo da baixa, a empresa pode perder a capacidade de calcular corretamente os tributos anteriormente suspensos.

Controlar apenas o valor total comprado sob o RETID

O risco está no item e em sua destinação. Saldos agregados não permitem identificar qual lote foi empregado corretamente, qual venceu e qual foi utilizado em teste destrutivo.

Ignorar juros e multas na contingência

A Solução de Consulta não fala apenas no retorno do principal. Ela prevê o recolhimento acrescido dos encargos aplicáveis, o que pode alterar significativamente a materialidade financeira.

Deixar engenharia e qualidade fora do compliance fiscal

Essas áreas controlam eventos que podem decidir a fruição definitiva do benefício. Sem integração, o fiscal trabalha com informação incompleta e descobre o problema tarde demais.

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Malha fiscal digital: como inconsistências operacionais podem aparecer nos cruzamentos do Fisco.

Estudos de Caso L4 Taxx

Os três cenários abaixo são hipotéticos e exclusivamente ilustrativos, não representam clientes reais e não garantem tratamento tributário, manutenção do RETID ou resultado perante a Receita Federal. O objetivo é demonstrar como eventos industriais semelhantes podem gerar necessidades distintas de controle.

Estudo de Caso – Matéria-prima perde validade antes da utilização

Uma empresa hipotética habilitada ao RETID adquire matéria-prima com suspensão de tributos para projeto de defesa, mas parte do lote vence antes de ser utilizada na obtenção do produto esperado.

  • Contexto: aquisição regular com benefício e estoque controlado por validade.
  • Desafio: identificar a consequência tributária da deterioração.
  • Diagnóstico L4 Taxx: a hipótese se aproxima diretamente daquela tratada na Solução de Consulta nº 202 e exige análise da recomposição dos tributos suspensos.
  • Plano de ação: preservar documentos do lote, calcular os tributos envolvidos, avaliar encargos e registrar corretamente a ocorrência.
  • Resultado: cenário ilustrativo de correção tempestiva antes que a perda seja descoberta apenas em fiscalização.
Estudo de Caso – Protótipo é destruído durante teste técnico

Uma indústria hipotética utiliza componentes adquiridos com suspensão em um produto semiacabado destinado a teste destrutivo de resistência. O protótipo é integralmente inutilizado antes da obtenção do PED.

  • Contexto: destruição tecnicamente prevista pelo processo de desenvolvimento.
  • Desafio: separar justificativa de engenharia da condição tributária.
  • Diagnóstico L4 Taxx: a finalidade técnica não afasta automaticamente o efeito indicado pela Receita para destruição antes do PED.
  • Plano de ação: vincular laudo do teste aos componentes consumidos e analisar imediatamente os tributos suspensos correspondentes.
  • Resultado: cenário ilustrativo em que documentação técnica melhora a rastreabilidade, mas não substitui a análise fiscal.
Estudo de Caso – ERP não distingue estoque comum de estoque beneficiado

Uma empresa hipotética mantém matérias-primas idênticas no mesmo depósito, parte adquirida com tributação normal e parte sob RETID, sem identificação fiscal por lote.

  • Contexto: item fisicamente idêntico com tratamentos tributários diferentes.
  • Desafio: saber qual aquisição foi consumida, perdida ou descartada.
  • Diagnóstico L4 Taxx: ausência de rastreabilidade impede calcular com segurança a consequência tributária das perdas.
  • Plano de ação: parametrizar lote, origem fiscal, ordem de produção e motivo de baixa dentro do ERP.
  • Resultado: cenário ilustrativo de melhoria de governança capaz de reduzir incerteza em fiscalizações futuras.

FAQ – principais dúvidas sobre RETID e perda de insumos

O que a Solução de Consulta Cosit 202/2026 decidiu sobre o RETID?

A Receita Federal definiu que, se matéria-prima adquirida com suspensão no RETID se deteriorar, perder a validade ou for destruída em produto semiacabado durante teste destrutivo antes da obtenção do Produto Estratégico de Defesa, a suspensão não se converte em alíquota zero e os tributos suspensos devem ser recolhidos com os acréscimos previstos na legislação.

A perda de matéria-prima é suficiente para manter a alíquota zero do RETID?

Não na hipótese analisada pela Receita. A perda ou deterioração ocorrida antes da obtenção do PED não atende à condição utilizada para converter a suspensão em alíquota zero.

Testes destrutivos podem gerar recolhimento de tributos suspensos?

Sim. A Solução de Consulta nº 202 afirma que a destruição de produtos semiacabados em testes destrutivos antes da obtenção do PED não permite a conversão da suspensão em alíquota zero.

Quais tributos podem estar envolvidos no RETID?

O RETID pode envolver suspensão de PIS/Pasep, Cofins e IPI nas operações previstas pela legislação, conforme o tipo de aquisição, importação ou operação realizada pela pessoa jurídica habilitada.

A empresa deve recolher apenas o principal quando ocorre a perda?

A Receita afirma que, na hipótese analisada, os tributos suspensos devem ser recolhidos acrescidos de juros e de multa, de mora ou de ofício, conforme a legislação específica aplicável.

A Solução de Consulta vale para qualquer perda de estoque no setor de defesa?

Não. O entendimento trata especificamente da situação descrita na consulta, envolvendo bens adquiridos sob o RETID e perda, deterioração ou destruição antes da obtenção do Produto Estratégico de Defesa. Outras situações exigem análise própria.

O controle do RETID deve ficar apenas no departamento fiscal?

Não. O risco depende de eventos de produção, qualidade, engenharia, P&D, almoxarifado e patrimônio. Essas áreas precisam comunicar perdas e testes ao fiscal antes do fechamento tributário.

O que empresas habilitadas ao RETID devem revisar agora?

Devem revisar estoques adquiridos com suspensão, perdas, vencimentos, testes destrutivos, ordens de produção, obtenção do PED, notas fiscais, contabilização e eventual recolhimento dos tributos suspensos.

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Compliance e integração de sistemas: como criar rastreabilidade fiscal entre áreas.

Conclusão – RETID em 2026: benefício fiscal depende do destino real do insumo

A Solução de Consulta Cosit nº 202/2026 esclarece um ponto importante para a indústria de defesa: adquirir matéria-prima com suspensão tributária é apenas o início da fruição do RETID. A conversão definitiva em alíquota zero depende do cumprimento das condições estabelecidas pela legislação e não pode ser presumida no momento da entrada do material.

A deterioração, a perda de validade e a destruição de produtos semiacabados em testes destrutivos antes da obtenção do PED passam a exigir atenção imediata. Na situação analisada pela Receita, esses eventos impedem a conversão da suspensão em alíquota zero e levam ao recolhimento dos tributos suspensos com os acréscimos previstos em lei.

O principal risco empresarial está na distância entre o processo industrial e o processo fiscal. Engenharia pode considerar um teste concluído, qualidade pode aprovar um descarte e estoque pode registrar uma baixa, enquanto o fiscal permanece sem informação de que um item beneficiado pelo RETID deixou de cumprir sua destinação.

O controle precisa começar no ERP e acompanhar o lote até o fim de seu ciclo. Documento fiscal, tributo suspenso, ordem de produção, teste, perda, descarte, status do PED e cálculo tributário devem permanecer vinculados. Quanto maior a complexidade tecnológica do projeto, mais importante se torna essa rastreabilidade.

A decisão também muda a gestão financeira do regime. Uma companhia não deve contabilizar toda suspensão como economia consolidada sem considerar eventos que possam reativar a obrigação. Perdas relevantes podem exigir reavaliação de custos, margens, provisões e resultados do projeto.

A L4 Taxx pode apoiar empresas na revisão de regimes especiais, estoques beneficiados, perdas, documentação e controles sistêmicos. No RETID, a segurança tributária não termina na habilitação: ela depende de conseguir demonstrar o destino de cada benefício ao longo de toda a operação.

Fontes oficiais consultadas

Como a L4 Taxx pode apoiar sua empresa

A Solução de Consulta nº 202 exige integração entre tributação e processo industrial. A L4 Taxx pode estruturar uma revisão do RETID com foco em benefício efetivamente sustentado por dados e documentos.

Diagnóstico do regime
  • Revisão da habilitação e das condições de fruição.
  • Mapeamento das aquisições e importações beneficiadas.
  • Identificação dos tributos suspensos por operação.
Auditoria de estoque
  • Rastreamento de lotes e validade.
  • Revisão de perdas e descartes históricos.
  • Conciliação entre estoque físico e fiscal.
Revisão de testes e desenvolvimento
  • Mapeamento de testes destrutivos.
  • Vinculação dos materiais utilizados aos respectivos projetos.
  • Revisão do momento do evento em relação ao PED.
Compliance de ERP
  • Parametrização de itens adquiridos sob RETID.
  • Criação de gatilhos para perda, vencimento e descarte.
  • Integração entre produção, qualidade, fiscal e contabilidade.
Revisão de contingências
  • Cálculo dos tributos que eventualmente deixaram de se converter em alíquota zero.
  • Mensuração dos acréscimos aplicáveis.
  • Documentação da decisão e do tratamento adotado.

Sua empresa consegue rastrear cada insumo adquirido com RETID?

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